O Desconfinar das Artes

Se há algo a que todos já nos habituámos é a viver com a imprevisibilidade dos tempos de hoje.


Se os historiadores até então consideravam a divisão clara, e Ocidental, “Antes de Cristo” (A.C.) e “Despois de Cristo” (D.C.), também os que estudarem as sociedades e culturas contemporâneas poderão separar as épocas e gerações pelo “Antes da COVID” e “Depois da COVID”.

Já quase todos nós não sabemos viver sem as máscaras, o distanciamento físico, a higienização recorrente e a ausência do público. Digo quase todos porque, para os artistas, é impossível deixar de pensar na vida sem público.

A essência de um artista é o seu público: quer seja pela performance, ao vivo, com a reação daqueles que assistem, ou participam, naquele ato de partilha da essência cultural, ou dos que disponibilizam as suas obras, nos mais diversos formatos e locais, e depois, através do público, recolhem as suas reações.

É, pois, para nós, enquanto instituição que se dedica na sua quase totalidade à música, à cultura tradicional filarmónica e ao ensino das artes, também muito importante a presença do nosso público. Mas também dos nossos alunos, músicos, professores, maestro, e toda a nossa equipa às rotinas da Filarmónica Cultural da Ericeira.

Este é, pois, o momento de Desconfinar das Artes, o regresso dos que contribuem para a felicidade, partilha de tradições, criação de conhecimento, transmissão de vibrações que se perpetuam ao longo da história. Queremos poder voltar aos palcos, voltar a tocar para o nosso público, voltar a ver o olhar orgulhoso dos professores, emocionado dos pais, devoto dos fiéis, e nostálgico dos músicos e dirigentes.

Este desconfinamento é também o mote que deixo a este novo começo: o regresso da Newsletter da Filarmónica Cultural da Ericeira, digno de um agradecimento sincero aos que contribuíram para esta edição, nomeadamente o nosso Gabinete de Comunicação, Marketing e Eventos, e o aprofundar da parceira com a AZUL, uma plataforma que tanto tem contribuído para a divulgação do que de bom se faz na nossa vila da Ericeira. Aqui pretendemos aproximar-nos dos nossos públicos, dos nossos alunos, contrariando o distanciamento das formas tradicionais de cultura (a maior pandemia da sociedade contemporânea).







João Ganhoteiro Silva

Presidente da Filarmónica Cultural da Ericeira

Mestrando em Estudos e Gestão da Cultura

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